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Alta da cotação não viabiliza a safra estadual
Notícia enviada em 15.07.2008

Os preços históricos para a soja tanto no mercado disponível como no futuro, ao contrário do que se imagina, não estão influenciando de maneira positiva os preparativos para nova temporada.

O principal sintoma de que as coisas não vão bem é o fato de que os recentes recordes afugentaram os compradores do mercado. O sojicultor quer aproveitar e travar contratos de venda, mas na posição compradora não há demanda.

Nessa corrida contra o tempo, já que o plantio no Estado tem início em setembro, o produtor precisa de recursos para adquirir – atrasado – insumos para iniciar a lavoura.

“Quem deixou para comprar, agora vai pagar mais caro. Terá um custo de produção maior e se plantar depois da janela ideal – melhor momento ao cultivo – vai estar mais suscetível à ferrugem asiática e ter problemas na produtividade e produção”, alerta o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Rui Ottoni Prado.

Os números para a próxima safra ainda não são consenso entre as principais entidades rurais do Estado. Para a Aprosoja/MT pode haver acréscimo de cerca de 5% sobre a área semeada na safra 07/08 que foi de 5,6 milhões de hectares, chegando a 5,8 milhões.

Porém, o diretor-executivo da Aprosoja, Marcelo Monteiro, esse incremento não significa incorporação de novas áreas, e sim resgate de parte do espaço que ficou para atrás e ocupado por alguma outra cultura. “Devemos retomar o volume cultivado em 05/06, cerca de 5,8 milhões de hectares”, acredita.

O presidente da Famato observa que diante das dificuldades, já reveladas ao novo ciclo, haverá redução de produção, gerada por uma menor área plantada.

Contudo, ambos concordam que a restrição ao crédito, alto custo dos fertilizantes e a menor oferta de recursos junto à iniciativa privada serão fatores preponderantes para impactar na safra, ao ponto de influenciar a produção.

Mesmo prevendo a ocupação de mais hectares, Monteiro frisa que haverá menos investimentos em fertilizantes, o que poderá reduzir em 10% a produção.

“Sem adubo e sem crédito, a nova safra poderá ter saldo negativo, fechando no vermelho”, frisa Prado. Segundo ele, a diferença entre o produtor que vai ter saldo azul ou vermelho passa pela compra dos insumos. “Quem já conseguiu comprar vai conseguir ter uma receita melhor”. De acordo com a Famato, cerca de 50% dos produtores conseguiram adquirir os insumos.

Pelas estimativas da Aprosoja/MT, considerando os custos variáveis (insumos de modo geral), o produtor terá a nova safra dividida da seguinte forma: custos de produção vão abocanhar 66%, frete, 28%, e sobrará 7% de margem. Já no Paraná, a conta muda. 53% serão custos, 10% para o frete e 37% será a margem.

ANTAGONISMO – A Aprosoja lembra que os volumes destinados no Plano Safra 08/09 para o custeios da lavoura aumentaram 12%, “mas o custo de produção aumentou mais de 50%”.

Prado explica ainda que o embargo às propriedades localizadas no chamado bioma amazônico, em vigor desde o dia 1°, “neutralizou as conquistas do Plano Safra” e poderá tirar de circulação do Estado, de maneira imediata, R$ 1 bilhão, volume que foi aplicado pelo Banco Brasil na safra passada, por exemplo.

“Ou seja, temos em vigor uma política antagônica ao setor, pois, no momento em que a crise de alimentos assombra o mundo, Mato Grosso fica alijado deste processo por falta de acesso ao crédito”.

Prado explica que a redução da inflação sobre os alimentos só virá com o aumento da produção de alimentos e com a uma menor pressão ambiental.

“Precisamos de acesso ao crédito e de mais crédito para ampliar a produção recuperando áreas degradadas. Sem dinheiro para investir, torne-se mais barato abrir novas áreas. Nem o momento e nem o produtor pode viver este antagonismo. Mato Grosso que detém o maior potencial agrícola do país poderá ficar de fora deste grande momento”.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, conta que, ano a ano, a participação do crédito oficial reduz, “já que os custos de produção só aumentam”.

O crédito oficial na safra 07/08 atingiu participação de 4%, ou seja, de tudo que foi aplicado no campo só 4% veio do Banco do Brasil, de uma participação que já foi de 17%”. Segundo ele, o Banco é responsável por 45% dos recursos aplicados na safra nacional e menos de 10% têm ficado aqui no Estado.

“Para prejudicar mais o cenário, as tradings também estão recuando sua participação. O que já foi R$ 7 bilhões não passará de R$ 5 bilhões no próximo ciclo. Afinal, saímos de um custo por hectare de US$ 591 para US$ 909. Apenas os fertilizantes serão responsáveis por US$ 433 deste custo”.



Fonte: Coapar
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